Na pandemia de covid-19, o espírito encarnado tem a liberdade, o livre-arbítrio, para escolher entre se deixar levar pelo pessimismo ou buscar se fortalecer emocionalmente para enfrentar os desafios. E essa busca tem como ponto de partida o cultivo de bons pensamentos, porque “somos o que pensamos”, como ressaltou o médico e trabalhador voluntário espírita Haroldo Moreira ao palestrar sobre o tema “Emoções” aos pais e evangelizandos na Evangelização Infantojuvenil do Lar de Maria no sábado (27). Para ele, “devemos ressignificar a pandemia, aprender com ela para nos fortalecermos e continuar a nossa jornada”.
“Procuremos pensar, falar e agir sempre no bem; para se fazer isso, não há mistério, é treino, treino e treino, por ser uma decisão, determinação de cada pessoa”, afirmou Haroldo. Deve-se, portanto, ter cuidado com o que se pensa, porque aí começa todo um fluxo de energia que envolve a fala e a ação, por estar diretamente ligado às emoções. “Por isso, Jesus disse: “Orai e vigiai!”, pontuou o palestrante.
Sobre a importância do pensamento, Buda chegou a afirmar que nem os piores inimigos de uma pessoa podem provocar tantos danos quanto os próprios pensamentos negativos dela. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), uma pessoa saudável não é alguém sem doenças, mas,sim, quem apresenta um quadro de bem-estar físico, psíquico, biopsicossocial e espiritual. “Isso porque a mente com pensamentos nocivos, negativos, estimula emoções que vão atingir o corpo”, frisou Haroldo Moreira.
Amor
E para se ter pensamentos positivos que acalmam e geram equilíbrio emocional ao ser, a chave é o amor, o sentimento por excelência. Haroldo Moreira lembrou que no Capítulo 11, item 8 de “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, os espíritos esclarecem sobre esse sentimento: “O amor resume a doutrina de Jesus toda inteira, visto que esse é o sentimento por excelência, e os sentimentos são os instintos elevados à altura do progresso feito. Em sua origem, o homem só tem instintos; quando mais avançado e corrompido, só tem sensações; quando instruído e depurado, tem sentimentos. E o ponto delicado do sentimento é o amor, não o amor no sentido vulgar do termo, mas esse sol interior que condensa e reúne em seu ardente foco todas as aspirações e todas as revelações sobre-humanas”.
“Podemos notar quando uma pessoa está imbuída desse sentimento, o amor, por meio da sua vibração; gostamos de ficar perto de uma pessoa assim. Chico Xavier dizia que tudo o que a gente pode aprender, aprende para para saber amar. Já o ódio é o amor adormecido, o amor doente. O ódio queima quem o agasalha”, observou Haroldo.
Em contraponto ao ódio, segundo Hans Selye, descobridor do estresse, um meio eficaz de combater emoções negativas é a prática do altruísmo, ou seja, engajar-se em ações voltadas para o bem-estar de outras pessoas, sobretudo, as mais necessitadas.
Resiliência
Outra dica trazida pelo palestrante Haroldo Moreira, diz sobre a resiliência demonstrada pelo neuropsiquiatra Viktor Frankl, preso e torturado pelos nazistas em campos de concentração na II Guerra Mundial (o que é relatado no livro “Em busca de sentido”). Em meios aos horrores da guerra, Frankl verificou que conseguia manter a liberdade de pensar, e, assim, imaginava-se liberto, com o fim do conflito mundial, dando aulas para alunos universitários em Viena. “Essa iniciativa de coragem e ressignificação para sobreviver àquele sofrimento, foi um guia para o dr. Frankl e serviu de parâmetro a outros presos e até para guardas nazistas”, acrescentou o expositor no Lar de Maria, traduzindo a concepção de Viktor Frankl de que o que não nos mata, nos fortalece.
Sobre mágoa, que também gera emoções negativas, Haroldo Moreira lembrou o dramaturgo inglês William Shakespeare, para quem “a mágoa é o veneno que a gente bebe querendo que o outro morra”. Em outras palavras, “temos de trabalhar para a mágoa sair da gente, buscar atendimento com um psicólogo ou psiquiatra, por exemplo, e, como ação complementar, buscar o atendimento espiritual. Entender e praticar o perdão é fundamental para não se armazenar mágoas”, disse Haroldo.
Como salientou o palestrante, a raiva pode funcionar como um gatilho para situações graves, como mal-estar físico, enfermidades e até a violência. Daí ser necessário atentar para não se deixar a indignação com algum fato, por exemplo, prosperar até a raiva em alto grau.
Substituir pensamentos desagradáveis e ambientes de aflição imaginados pelas pessoas por pensamentos em paisagens tranquilas e a busca em se viver o momento presente é técnica válida para combater a ansiedade, a depressão. Nesse contexto, a prática de atividades físicas é preciosa ferramenta. Chico Xavier, sob orientação do mentor espiritual Emmanuel, combatia a ansiedade, tristeza, visitando famílias pobres na periferia da cidade.
“Na pandemia, ainda que sejamos atingidos pelo sofrimento, pela dor, sabemos que nada acontece por acaso, e podemos descobrir novos talentos, oportunidades de conhecimento e evolução, como, por exemplo, eu descobri como amo mais ainda a minha esposa, as minhas filhas e meus netos”, arrematou Haroldo Moreira, indicando o livro “No Rumo ao Mundo de Regeneração”, de Manoel Philomeno de Miranda, psicografia de Divaldo Franco, para se aprofundar conhecimentos sobre a pandemia sob o ponto de vista espírita.

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