Em conversa com pais e mães de evangelizandos e também com evangelizadores do Lar de Maria no sábado (13), Paulo Rabelo, trabalhador espírita, integrante da gestão da União Espírita Paraense (UEP), destacou a importância da fé na trajetória evolutiva dos espíritos encarnados e desencarnados. Um dos coordenadores de Juventude do centro Renascença D´Alma, em Belém, Rabelo enfatizou a necessidade de se exercitar a fé nas atividades do dia a dia, em especial no inter-relacionamento social, incluindo a afetuosidade para com o próximo, considerando-se, em particular, a pandemia da covid-19. “Para nos aproximarmos e nos relacionarmos com as pessoas não bastam apenas os argumentos, mas deve predominar o afeto; assim, é possível construir relações saudáveis, ou seja, para isso o entendimento, o fortalecimento da fé é imprescindível”, ressaltou.
A explanação de Paulo Rabelo versou sobre a “Parábola do Grão de Mostarda”, como parte da programação da Evangelização Infantojuvenil do Lar de Maria sobre os ensinamentos de Jesus por meio desse instrumento pedagógico. Paulo enfocou, no começo de sua fala, o momento da morte (desencarnação) para exemplificar como para os seres humanos, incluindo os espíritas, a fé deve ser entendida e construída de forma profunda, gradativamente, semelhante ao grão de mostarda que de pequena semente transforma-se em árvore frondosa capaz de dar sombra e abrigar ninhos de passarinhos.
Entender teoricamente ou falar sobre a morte é um momento, mas não temê-la a partir da fé raciocinada é o lado desafiador da temática. Para contornar aos poucos as contradições e imperfeições próprias, o ser humano (espíritos) deve atentar para o autoconhecimento, a observação de que apesar dos tropeços ele possui, a partir da fé, uma perspectiva de futuro.
A fé precisa ser vivida de forma verdadeira, em sentido profundo e não apenas como crença em algo. Por exemplo, no atual cenário sanitário no mundo, mostra-se fundamental se ter serenidade, raciocinar com fé em busca do bem-estar coletivo, exercer o livre-arbítrio com responsabilidade e não praticar algo esperando por uma recompensa de qualquer natureza.
“A fé convive com as nossas limitações que fazem parte da nossa caminhada; eu preciso me abraçar do jeito que eu sou, mas buscar os meus próprios recursos, em essência, para evoluir, semear o bem, ser o semeador de mim mesmo”, enfatiza Paulo. Nesse sentido, atentar para as mensagens do Cristo e dos benfeitores espirituais conta muito no sentido de compreender a transição planetária por que passa a Terra para deixar de ser um Mundo de Provas e Expiações para ser um Mundo de Regeneração, este com espíritos mais focados na prática do bem.
As transformações por que passam a humanidade e o planeta foram preditas na obra “A Gênese”, no capítulo XVIII, “São chegados os tempos”.
Sentimento pleno
“Em “O Livro dos Espíritos”, ao serem perguntados por Allan Kardec sobre o que falta para a nossa reforma íntima, os espíritos respondem que nos falta ter vontade; então, devemos construir essa vontade, fazer o exercício da fé”, pontuou Paulo. No caso de agressões no dia a dia, deve-se pensar na própria responsabilidade de um gesto com o mesmo teor diante da pessoa alterada; ou seja, “o silêncio, o silêncio da alma fala muito e é diferente de omissão”.
Já em “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, como frisou Paulo Rabelo, é colocado: “No homem, a fé é o sentimento inato de seus destinos futuros; é a consciência que ele tem das faculdades imensas depositadas em gérmen no seu íntimo, a princípio em estado latente, e que lhe cumpre fazer que desabrochem e cresçam pela ação da sua vontade”.
“Pensemos na brandura do Cristo, na busca da fraternidade pública, e não na polarização que se observa no mundo atual”, salientou. Neste momento de transformações variadas, deve-se cuidar da “casa mental e aproveitar para o recolhimento, de vez que, como disse Paulo Rabelo, “a fé é um sentimento” e precisa ser cultivado a cada dia para dar sombra e abrigar pássaros que nada mais são que os mais necessitados na vida.



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