É na adolescência que o espírito encarnado apresenta-se com a bagagem de conquistas e imperfeições relativas a sucessivas encarnações e também com os conhecimentos e valores adquiridos na atual encarnação. O ser mostra-se, então, em período de revisionismo, o que acaba gerando conflitos de natureza espiritual relacionados às mudanças físicas e emocionais que vivencia nessa etapa da vida, em particular a sexualidade. Para superar esse desafio, a parceria dos pais com o adolescente é algo imprescindível e inadiável, como expôs a psicóloga e trabalhadora espírita Denise Eiró, do Centro Vinha de Luz, aos participantes do Grupo Família da Evangelização Infantojuvenil do Lar de Maria no dia 31 de outubro.

Ao enfocar o tema “Conversando sobre Sexualidade Infantojuvenil”, na esteira da abordagem dessa temática relacionada à infância, ainda no primeiro semestre de 2020, sempre de forma online, Denise Eiró destacou que cabe aos pais a observação de como o filho adolescente se comporta, a fim de identificarem aspectos nos quais possam auxiliá-lo como parte da jornada evolutiva (espiritualmente).

Nesse contexto de modificações na vida dos jovens, a sexualidade é algo muito relevante, abrangendo a descoberta de novos conhecimentos e sensações com o corpo, como se dá com a menstruação e a masturbação, por exemplo. O corpo tem influência sobre o espírito, e o espírito, por sua vez, aproveita-se dos recursos do corpo para se manifestar.

Relações

Denise observou que a adolescência possui três tipos de luto: o luto pelo corpo infantil, o luto pelo papel infantil e o luto pelos pais da infância. Assim, além das modificações referentes ao corpo, que deixou, então, de ser aquele da infância, o jovem e a jovem não mais mantêm hábitos e atividades da primeira fase da vida, mas, agora, ganham responsabilidades e relações sociais mais aprofundadas. Os pais deixam de ser os protetores das meninas e meninos para ser os conselheiros dos adolescentes. “Os pais não devem fazer o que os jovens são capazes de fazer; devem valorizar cada etapa da vida”, observou a palestrante.

Assim, os pais devem atuar com tranquilidade. Do ponto de vista legal, a adolescência termina aos 18 anos, mas, no aspecto psíquico, cada pessoa tem o seu ciclo. “Um dos principais questionamentos do adolescente é sobre a identidade, ou seja, ele se pergunta: quem sou eu? O que penso de mim? O que eu quero da vida? E esse processo inclui os tópicos: o papel sexual, o convívio entre iguais, o pensar a profissão e, ainda, a filosofia de vida”, ressaltou Denise.

Ao destacar a atuação dos pais no assessoramento afetuoso para com os filhos adolescentes, a palestrante sugeriu: “Aos pais, é bom, por exemplo, aprender a fazer hot-dog para convidar os amigos do filho, da filha, para observar o grupo, iniciar uma convivência saudável. O jovem tem uma dependência transitória do grupo de amigos para ter autonomia, ou seja, para definir caminhos mediante questionamentos. Ele vai construir autonomia emocional para as escolhas; o grupo é uma canoa da infância para o mundo adulto. E os pais precisam estar presentes, firmes e amorosamente, nesse processo”.

O jovem tem de pensar na profissão a seguir, o meio de ganhar a vida. Esse aspecto da adolescência pode ser, inclusive, tema da reunião do Evangelho no Lar da própria família, quando, então, pode-se trocar ideias sobre o assunto com o jovem.

“Quando um jovem ou uma jovem pergunta ao pai ou à mãe sobre como foi a primeira vez, na verdade, ele/ela está pensando sobre a primeira vez dele/dela mesmo. E para ele/ela fazer essa pergunta tem que haver um clima de confiança na família, o que é construído desde a infância, com a atenção dos pais aos questionamentos feitos pela criança”, pontuou Denise.

Valores

Sobre o aspecto da filosofia de vida, surge a questão dos valores, isto é, o que importa como valor para o jovem e por quê? Tópicos como esse podem e são abordados em geral por meio de rodas de conversa da Evangelização Infantojuvenil e em eventos na Casa Espírita, como sinalizou Denise Eiró.

Em outros tempos, a iniciação de um rapaz se dava por meio de experiência em um prostíbulo, com o aval pleno das famílias. Essa prática mudou, e hoje em dia a primeira vez dos jovens costuma ocorrer entre namorados, como fruto de uma relação afetuosa e de descobrimento em conjunto dessa etapa da vida. Bem diferente do “ficar”, que se mostra como uma relação sem compromisso e sem respeito de uma pessoa com a outra. Aliás, como pontuou Denise Eiró, o respeito deve predominar nas relações humanas, o que abrange, inclusive, a relação sexual e a interação entre filhos e pais fundamentada nos ensinamentos morais do Cristo.

A Doutrina Espírita contribui com o discernimento de pais e filhos sobre a sexualidade e outros temas da adolescência, por situar o ser como um espírito em evolução por meio das encarnações proporcionadas pelo amor de Deus. Nesse sentido, a psicóloga recomendou a leitura do capítulo 15 do livro “Constelação Familiar”, de Joanna de Angelis, psicografado por Divaldo Franco.

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